sábado, 4 de junho de 2011

Alexander Fleming e a Penicilina – Ciências AO X-TREMO

Sem duvidas uma das maiores descobertas de todos os tempos, foi a descoberta da "Penicilina", pelo bacteriologista Alexander Fleming,que deu origem ao antibiótico... Saiba um pouco sobre Fleming e sua descoberta, nessa postagem sobre Ciência AO X-TREMO... 


 

"Não inventei a penicilina", disse Alexander Fleming sobre o medicamento que lhe rendeu o Prêmio Nobel e revolucionou a medicina. "A natureza é que a fez. Eu só a descobri por acaso". 


Alexander Fleming nasceu em 6 de agosto de 1881, em Lochfield, no condado escocês de Ayr, no Reino Unido. Alec, como todos o chamavam, era o sétimo de oito filhos e ficou órfão de pai aos sete anos. Ele viveu numa fazenda até os 16 anos. 

Em 1895, seu irmão Tom, oculista, levou para Londres os irmãos John, que aprendeu a fazer lentes, e os mais novos Robert e Alec, para estudar na Escola Politécnica. Na capital inglesa, Alec também trabalhou numa agência de navegação até ingressar, em outubro de 1901, na Escola Médica do Hospital de Saint Mary
. 
Após a formatura, Fleming entrou na equipe de Almroth Wright, um dos pioneiros da vacinação. Ele gostaria de ter sido cirurgião, mas apaixonou-se pela pesquisa da equipe de Wright. Seu primeiro grande feito foi simplificar o teste da sífilis, que era uma das grandes epidemias da época. 

Com a Primeira Guerra, num hospital na França, desenvolveu técnicas que melhoraram o tratamento de feridas infectadas. Numa das suas curtas licenças, em 1915, casou-se em Londres com Sally McElroy. Após a guerra, seu irmão John casou-se com a gêmea de Sally, Elisabeth. 

 Alexander Fleming, bacteriologista do St. Mary's Hospital, de Londres, vinha já há algum tempo pesquisando substâncias capazes de matar ou impedir o crescimento de bactérias nas feridas infectadas. Essa preocupação se justificava pela experiência adquirida na Primeira Grande Guerra (1914-1918), na qual muitos combatentes morreram em conseqüência da infecção em ferimentos profundos. 


        Em 1922 Fleming descobrira uma substância antibacteriana na lágrima e na saliva, a qual dera o nome de lisozima. 

        Em 1928 Fleming desenvolvia pesquisas sobre estafilococos, quando descobriu a penicilina. A descoberta da penicilina deu-se em condições peculiaríssimas, graças a uma seqüência de acontecimentos imprevistos e surpreendentes. 

        No mês de agosto daquele ano Fleming tirou férias e, por esquecimento, deixou algumas placas com culturas de estafilococos sobre a mesa, em lugar de guardá-las na geladeira ou inutilizá-las, como seria natural.

        Quando retornou ao trabalho, em setembro, observou que algumas das placas estavam contaminadas com mofo, fato que é relativamente freqüente. Colocou-as então, em uma bandeja para limpeza e esterilização com lisol. Neste exato momento entrou no laboratório um seu colega, Dr. Pryce, e lhe perguntou como iam suas pesquisas. Fleming apanhou novamente as placas para explicar alguns detalhes ao seu colega sobre as culturas de estafilococos que estava realizando, quando notou que havia, em uma das placas, um halo transparente em torno do mofo contaminante, o que parecia indicar que aquele fungo produzia uma substância bactericida. O assunto foi discutido entre ambos e Fleming decidiu fazer algumas culturas do fungo para estudo posterior. 


O fungo foi identificado como pertencente ao gênero Penicilium, donde deriva o nome de penicilina dado à substância por ele produzida. Fleming passou a empregá-la em seu laboratório para selecionar determinadas bactérias, eliminando das culturas as espécies sensíveis à sua ação. 

        A descoberta de Fleming não despertou inicialmente maior interesse e não houve a preocupação em utilizá-la para fins terapêuticos em casos de infecção humana até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939. 

        Em 1940, Sir Howard Florey e Ernst Chain, de Oxford, retomaram as pesquisas de Fleming e conseguiram produzir penicilina com fins terapêuticos em escala industrial, inaugurando uma nova era para a medicina - a era dos antibióticos. 

        Alguns anos mais tarde, Ronald Hare, colega de trabalho de Fleming, tentou, sem êxito, "redescobrir" a penicilina em condições semelhantes às que envolveram a descoberta de Fleming. Após um grande número de experiências verificou que a descoberta da penicilina só se tornou possível graças a uma série inacreditável de coincidências, quais sejam:

        - O fungo que contaminou a placa, como se demonstrou posteriormente, é um dos três melhores produtores de penicilina dentre todas as espécies do gênero Penicilium; 

        - O fungo contaminante teria vindo pela escada do andar inferior, onde se realizavam pesquisas sobre fungos; 

        -O crescimento do fungo e dos estafilococos se fez lentamente, condição necessária para se evidenciar a lise bacteriana; 

        - No mês de agosto daquele ano, em pleno verão, sobreveio uma inesperada onda de frio em Londres, que proporcionou a temperatura ideal ao crescimento lento da cultura; 

        - A providencial entrada do Dr. Pryce no Laboratório permitiu que Fleming reexaminasse as placas contaminadas e observasse o halo transparente em torno do fungo, antes de sua inutilização.

        Apesar de todas essas felizes coincidências, se Fleming não tivesse a mente preparada não teria valorizado o halo transparente em torno do fungo e descoberto a penicilina. 

PENICILINA

ESTRUTURA

As penicilinas contêm um anel activo, o anel beta-lactâmico, que partilham com as cefalosporinas.
As penicilinas contém um núcleo comum a todas elas e uma região que varia conforme o subtipo.
Todas penicilinas têm a mesma estrutura básica: ácido 6 aminopenicilanico, um anel tiazolidina unido a um anel beta lactamico que leva um grupo amino livre.

MECANISMO DE AÇÃO

Todos os antibióticos beta-lactâmicos (penicilinas e cefalosporinas) interferem na síntese de parede celular bacteriana, através de sua ligação com as enzimas PLP. A penicilina acopla num receptor presente na membrana interna bacteriana (PBP) e interfere com a transpeptidação que ancora o peptidoglicano estrutural de forma rígida em volta da bactéria. Como o interior desta é hiperosmótico, sem uma parede rígida há afluxo de água do exterior e a bactéria lisa (explode).
O principal mecanismo de resistência de bactérias à penicilina baseia-se na produção de Beta-lactamases, enzimas que degradam a penicilina impedindo sua ação.
Outro mecanismo de ação da Penicilina é a inativação de enzimas autolíticas na parede celular, isto da como resultado a lise celular.


USOS TERAPÊUTICOS

Há dois tipos principais de penicilina:
1.     A Penicilina G ou benzilpenicilina, foi a primeiramente descoberta é geralmente injectavel (intra-venosa ou intra-muscular) ainda que existam formas bucais para tratamento dental. Ela é mal absorvida a partir do intestino por isso a via oral não é utilizada.

2.     A Penicilina V ou fenoximetilpenicilina é geralmente administrada por via oral e é absorvida para o sangue ao nível intestinal.

As penicilinas são eliminadas por secreção tubular nos rins.

É a primeira escolha para infecções bactérianas causadas por organismos Gram-positivos e outros que não sejam suspeitos de resistência.

É geralmente eficaz contra espécies Gram+ ou de Streptococcus, Clostridium, Neisseria, e anaérobios excluindo Bacteroides. Usa-se em casos de meningite bacteriana, bacterémia, endocardite, infecções do tracto respiratório (pneumonia), faringite, escarlatina, sífilis, gonorreia, otite média e infecções da pele causadas pelos organismos referidos.

A Penicilina já não é a primeira escolha em infecções por Staphylococcus devido a resistência disseminada nesse género.

EFEITOS INDESEJADOS

A penicilina não tem efeitos secundários significativos, mas pode raramente causar reações alérgicas e até choque anafilático nos indivíduos susceptíveis.
Sintomas iniciais nesses casos podem incluir eritemas cutâneos disseminados, febre e edema da laringe, com risco de asfixia. A sua introdução por injeção no organismo também é conhecida por ser dolorosa.
Além disso uso prolongado ou em altas doses pode causar deplecção da flora normal no intestino e suprainfecção com espécie patogénica.

FÁRMACOS DERIVADOS

Existem muitos antibióticos derivados por métodos químicos industriais da penicilina, constituindo as penicilinas semi-sintéticas:
Amoxicilina, Ampicilina e Pivampicilina têm maior espectro de acção, e são eficazes contra mais tipos de organismos.

§                     Flucloxacilina é mais resistente à beta-lactamase (uma penicilinase).

§                     Carbenacilina, Aziocilina, Ticarcilina são eficazes contra espécies de Pseudomonas, especialmente a P.aeruginosa, que são importantes patogénios do meio hospitalar.






UM POUCO MAIS SOBRE ANTIBIÓTICOS


Introdução


Os antibióticos são produtos de enorme importância não apenas na área de saúde, como também na economia, visto que apenas nos Estados Unidos, cerca de 100.000 toneladas são produzidas anualmente. Embora aproximadamente 8000 substâncias com atividade antimicrobiana sejam conhecidas e, a cada ano, centenas de novas substâncias sejam descobertas, pouquíssimas são efetivamente aproveitadas e utilizadas como agentes antimicrobianos, visto que muitas destas não atendem aos requisitos mínimos para seu emprego terapêutico. Paralelamente, não podemos deixar de mencionar o crescente problema em relação ao surgimento de espécies bacterianas resistentes aos diferentes antibióticos. Este talvez corresponda ao principal desafio dos pesquisadores, visto que a multirresistência vem se tornando diariamente mais disseminada nas populações microbianas, sejam patogênicas ou não. Mais recentemente, outro aspecto que vem sendo cada vez mais levado em consideração refere-se à ocorrência dos biofilmes e sua importância na terapêutica antimicrobiana, pois o conhecimento sobre a ocorrência de biofilmes microbianos em nosso organismo levou a uma quebra do paradigma de tratamento das doenças infecciosas. Certamente, para que os antibióticos possam ser empregados de forma mais eficaz, será necessário um maior conhecimento acerca dos biofilmes formados naturalmente em nosso organismo. Pois, somente a partir da elucidação da ecologia dos biofilmes naturais do homem, teremos maiores chances de tratar de forma adequada as várias doenças infecciosas.


Conceitos


 Agente Antimicrobiano: Composto químico que mata ou inibe o crescimento de microrganismos, podendo ser natural ou sintético.


 Agentes Quimioterápicos (Antimicróbicos): Agentes químicos, naturais ou sintéticos, usados no tratamento de doenças. Atuam matando ou inibindo o desenvolvimento dos microrganismos, em concentrações baixas o suficiente para evitar efeitos danosos ao paciente.


 Antibióticos: Grupo de agentes quimioterápicos (maioria), que constituem-se em produtos microbianos ou derivados. São produtos do metabolismo secundário (quando a célula entra em fase estacionária), não essenciais para o crescimento ou reprodução, sendo sua síntese dependente da composição do meio (podem ser super produzidos). São geralmente compostos complexos, cuja síntese envolve várias etapas enzimáticas, sendo as enzimas reguladas separadamente das do metabolismo primário. Via de regra, a produção de antibióticos está associada ao fenômeno de quorum sensing.


 Quimioterápico: Agente químico sintético, exibindo as mesmas atividades de um antibiótico.


Histórico dos antibióticos e descobertas relacionadas

Paul Ehrlich (1854 - 1915): Desenvolveu o conceito de toxicidade seletiva, indicando que determinado agente exibia uma ação danosa aos microrganismos, sem afetar as células do hospedeiro. Tal conceito tem importante reflexo prático, pois indica se um agente pode, teoricamente, ser útil no tratamento de doenças infecciosas. Este pesquisador trabalhava com corantes e técnicas de coloração de microrganismos, quando verificou que alguns compostos coravam os microrganismos, mas não os tecidos animais. Esperava encontrar um corante tóxico aos microrganismos ("bala mágica").

1904 - Uso prático do vermelho de tripan, composto ativo contra o tripanossoma que causava a doença africana do sono.

Ehrlich & Hata: realização de testes com compostos arsenicais, em coelhos com sífilis. Descobriram que o composto 606, arsfenamida, era ativo => Em 1910, foi lançado o medicamento Salvarsan (nome comercial da arsfenamida), para o tratamento da sífilis.

1927 - Na I. G. Farbenindustrie (Bayer) - G. Domagk: testava corantes e outros compostos químicos, quanto à ação em microrganismos e toxicidade em animais.

1935 - Vermelho Prontosil: inócuo para animais, protegendo camundongos contra estafilococos e estreptococos patogênicos. Neste mesmo ano, foi descoberto que o prontosil era clivado no organismo, originando a sulfanilamida como um dos produtos. Na realidade, a droga eficaz era a sulfanilamida.

1939 - Nobel para Domagk

1896 - E. Duchesne: descobriu a penicilina, mas raramente tal pesquisador é citado, pois seus achados nunca foram devidamente publicados ou notificados, sendo esquecids durante vários anos.

A. Fleming: Busca de um tratamento eficaz para os feridos na II Guerra Mundial. Foi o "segundo" descobridor da penicilina e tentou, sem sucesso, purificá-la em quantidades suficientes para ser utilizada como medicamento.

1939 - H. Florey & E. Chain - testavam atividade bactericida de várias substâncias (lisozima, sulfonamidas). Obtiveram a cultura de fungo isolada inicialmente por Fleming, passando a trabalhar na purificação da penicilina. Injetarama penicilina em camundongos infectados com estafilococos ou estreptococos e observaram que quase todos sobreviveram. (Trabalho publicado em 1940).

1945 - Nobel para Florey, Chain e Fleming

1944 - S. Waksman: descobrimento da estreptomicina (Streptomyces griseus), a partir do teste de cerca de 10.000 linhagens de bactérias e fungos do solo.
1952 - Nobel para Waksman.

Até 1953 - Isolamento de microrganismos produtores de cloranfenicol, neomicina, terramicina e tetraciclina.

A partir de 1953 - a indústria investiu centenas de milhares de dólares na busca de novas drogas antimicrobianas, sendo que tal linha de pesquisa perdura até hoje em todo o mundo, empregando diversos tipos de abordagens.


Características gerais das drogas antimicrobianas

 Toxicidade Seletiva: característica que todo antimicrobiano deveria apresentar, pois reflete-se na capacidade de atuar seleivamente sobre o microrganismo, sem provocar danos ao hospedeiro.
Esta é expressa em termos do índice terapêutico: relação B/A, onde
A) Dose terapêutica: concentração p/ tratamento 
B) Dose tóxica: concentração a partir da qual é tóxica
Drogas que atuem sobre funções microbianas inexistentes em eucariotos geralmente tem maior toxicidade seletiva e índice terapêutico (Penicilina).

 Espectro de ação: Refere-se à diversidade de organismos afetados pelo agente. Geralmente os antimicrobianos são de pequeno ou de amplo espectro. Atualmente, uma série de laboratórios vem trabalhando em busca de isolar e purificar antimicrobianos de espectro restrito, que atuam especificamente sobre um ou um pequeno número de microrganismos. No entanto, atualmente os antibióticos comercializados enquadram-se nas categorias de pequeno e amplo espectro de ação.



Exemplos de diferentes drogas antimicrobianas, classificadas de acordo com o espectro de ação.
(Adaptado de Madigan et al., Brock Biology of Microorganisms, 2003)


 Quanto à síntese: Microbiana, química ou semi-sintética
Microbiana - geralmente por uma ou poucas bactérias (actinomicetos) e vários tipos de fungos filamentosos. Geralmente correspondem a produtos do metabolismo secundário.
Química - Sulfonamidas, Trimetoprim, Cloranfenicol, Isoniazida além de outros antivirais e antiprotozoários.
Semi-sintéticos - são antibióticos naturais, modificados pela adição de grupamentos químicos, tornando-os menos suscetíveis à inativação pelos microrganismos (ampicilina, carbencilina, meticilina).

 Quanto à ação: "státicos" ou "cidas"
Os "cidas" podem ser "státicos" dependendo da concentração, ou do tipo de organismo.
Os "staticos" tem sua ação vinculada à resistência do hospedeiro.

 CMI e CML: 2 parâmetros que indicam a eficiência da droga.
A droga "cida" geralmente elimina o agente em concentrações de 2 a 4 vezes maior que a "stática", sendo o inverso falso.


• Atingir concentrações efetivas nos tecidos e entrar em contato com o microrganismo.


• Não alterar os mecanismos naturais de defesa do hospedeiro. 


Mecanismos de ação dos antimicrobianos


Vários são os possíveis alvos para os agentes antimicrobianos. O conhecimento dos mecanismos de ação destes agentes permite entender sua natureza e o grau de toxicidade seletiva de cada droga.


Exemplos das principais estruturas ou etapas metabólicas afetadas por antibióticos
(Adaptado de Madigan et al., Brock Biology of Microorganisms, 2003) 

1) Inibição da síntese da Parede Celular: estes agentes antimicrobianos correspondem aos mais seletivos, apresentando um elevado índice terapêutico.
penicilinas, ampicilina e cefalosporinas: contém em sua estrutura um anel b-lactâmico, que interage com proteínas denominadas PBPs (Penicillin Binding Protein), inibindo a enzima envolvida na transpeptidação, responsável pela ligação entre as cadeias de tetrapeptídeos do peptideoglicano. Com isso, há o impedimento da formação das ligações entre os tetrapeptídeos de cadeias adjacentes de peptideoglicano, ocasionando uma perda na rigidez da parede celular. Acredita-se também que tais drogas podem atuar promovendo a ativação de enzimas autolíticas, resultando na degradação da parede.



Mecanismo de ação dos antibióticos b-lactâmicos
(Adaptado de Atlas, R.M., Principles of Microbiology, 1997)

bacitracina: Interfere com a ação do carreador lipídico que transporta os precursores da parede pela mebrana. Resulta na não formação das ligações entre o NAM e NAG.
vancomicina: liga-se diretamente à porção tetrapeptídica do peptideoglicano. É ainda a droga de escolha para linhagens resistentes de S. aureus.

2) Ligação à Membrana Citoplasmática: são agentes antimicrobianos que muitas vezes exibem menor grau de toxicidade seletiva.
polimixinas: Ligam-se à membrana, entre os fosfolipídeos, alterando sua permeabilidade (detergentes). São extremamente eficientes contra Gram negativos, pois afetam tanto a membrana citoplasmática como a membrana externa.
Ionóforos: Moléculas hidrofóbicas que se imiscuem na Membrana citoplasmática, permitindo a difusão passiva de compostos ionizados para dentro ou fora da célula.



Exemplo de um antibiótico que atua como ionóforo
(Adaptado de Atlas, R.M., Principles of Microbiology, 1997)


3) Inibição da síntese de ácidos nucléicos: seletividade variável.
Novobiocina: se liga a DNA girase, afetando o desenovelamento do DNA, impedindo sua replicação.
quinolonas: Inibem a DNA girase, afetando a replicação, transcrição e reparo.
Rifampicina: Ligação à RNA polimerase DNA-dependente, bloqueando a transcrição.

4) Inibição da tradução: São geralmente bastante seletivos. Correspondem a um dos principais grupos de agentes antimicrobianos, uma vez que a síntese protéica corresponde a processo altamente complexo, envolvend várias etapas e diversas moléculas e estruturas.



Diferentes etapas da tradução que podem ser afetadas por agentes antimicrobianos
(Adaptado de Atlas, R.M., Principles of Microbiology, 1997)

estreptomicina e gentamicina: Liga-se à subunidade ribossomal 30S, bloqueando-a e promovendo erros na leitura do mRNA. Interferem com a formação do complexo de iniciação.
tetraciclina: Liga-se à subunidade ribossomal 30S (sítio A), impedindo a ligação do aminoacil-tRNA.
cloranfenicol: Liga-se à subunidade ribossomal 50S e inibe a ligação do tRNA e da peptidil transferase, inibindo a elongação.
eritromicina: Liga-se à subunidade ribossomal 50S e inibe a elongação.


Exemplos de drogas que interferem com a síntese protéica
(Adaptado de Atlas, R.M., Principles of Microbiology, 1997)


5) Antagonismo metabólico: geralmente ocorre por um mecanismo deinibição competitiva.
Sulfas e derivados: inibição da síntese do ácido fólico, pela competição com o PABA.
Trimetoprim: bloqueio da síntese do tetrahidrofolato, inibindo a dihidrofolato redutase.




Similaridade estrutural entre a sulfanilamida e o PABA (importante precursor da síntese de purinas)
(Adaptado de Atlas, R.M., Principles of Microbiology, 1997)

Isoniazida: afeta o metabolismo do NAD ou piridoxal, inibe a síntese do ácido micólico - "fator corda".



Resistência microbiana

Este tema tornou-se um motivo de preocupação crescente entre os profissionais da área de saúde, pois a cada ano observamos o aumento de linhagens resistentes aos mais diversos agentes antimicrobianos.





Proporção de bactérias fecais, isoladas de indivíduos normais, resistentes aos diferentes antibióticos.


Aumento na proporção de linhagens de N. gonorrhoaea resistentes à penicilina.        
(Adaptado de Madigan et al., Brock Biology of Microorganisms, 2003)


A resistência microbiana aos antimicrobianos pode ser de dois tipos: 


 Natural: ausência da estrutura, ou via metabólica alvo.


 Adquirida: Através de mutações espontâneas e seleção, ou por recombinação após transferência de genes. 

Dentre os principais mecanismos de resistência podemos citar:


Impermeabilidade à droga: Muitas bactérias Gram negativas são resistentes à penicilina G por serem impermeáveis à droga, ou por apresentarem alterações em proteínas de ligação à penicilina. No caso das 


sulfonamidas, o microrganismo pode também apresentar uma menor permeabilidade à droga.


Inativação: muitas drogas são inativadas por enzimas codificadas pelos microrganismos. Por exemplo, a penicilinase (b-lactamase) é uma enzima que cliva o anel b-lactâmico inativando a droga. Outras drogas podem ser inativadas em decorrência de modificações introduzidas pelo microrganismo, tais como a adição de grupamentos químicos. Assim, muitos microrganismos são capazes de promover a fosforilação ou acetilação de antibióticos.


Modificação de enzima ou estrutura alvo: Por exemplo, alterações na molécula do rRNA 23S (no caso de resistência à eritromicina e cloranfenicol), alteração da enzima, no caso de drogas que atuam no metabolismo, ou uso de vias metabólicas alternativas.


Bombeamento para o meio: Efluxo da droga - No caso da resistência às tetraciclinas, em bactérias entéricas.



Fonte:

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Lista de Schindler - Holocausto AO X-TREMO...

A Segunda Guerra Mundial foi marcada, pelo ódio e pelas mais terríveis atrocidades já cometidas pelo ser humano em todos os tempos e entre tantas formas de violência contra o ser humano naquela época, sem duvida, o Holocausto fora uma das mais terríveis e monstruosas manifestações do ódio... E entre tantos personagens que habitaram esse período sombrio, destaca-se entre outros, Oskar Schindler...


Oskar Schindler nasceu a 28 de Abril de 1908 em Zwittau na Morávia. A sua família de classe média católica pertencia à comunidade que falava em alemão nos Sudetas. O jovem “Schindler”, que estudava engenharia, esperava seguir os passos do seu pai e tomar conta da fábrica de máquinas agrícolas.

Alguns dos colegas e vizinhos amigos de Schindler eram judeus, mas este não estabeleceu nenhuma amizade íntima e duradoura com nenhum deles. Tal como muitos dos jovens que falavam alemão dos Sudetas, ele inscreveu-se no partido alemão Konrad Henlein's Sudeten, tendo-se inscrito no partido nazi depois da anexação alemã dos Sudetas em 1938.

Pouco depois do rebentar da guerra em Setembro de 1939, Schindler com 31 anos de idade foi para a ocupada Cracóvia. A cidade, casa para cerca de 60.000 judeus e sob a administração alemã, a Generalgouvernement, provou ser muito atractiva para os empresários alemães, que desejavam capitalizar as adversidades existentes no país ocupado. Naturalmente astuto e sem escrúpulos, Schindler apareceu, inicialmente, para alcançar algum sucesso por aqueles lados. Em Outubro de 1939, apropriou-se de uma fábrica até então proprietária de um judeu. Como resultado de algumas manobras - através do conselho comercial de um contabilista judeu polaco, Isaak Stern - Schindler começou a construir a sua própria fortuna. Em Zablocie, arredores de Cracóvia, uma pequena fábrica de equipamento de cozinha para o exército alemão começou a crescer. Em apenas três meses, a fábrica já empregava cerca de 250 polacos, incluindo sete judeus. No final de 1942, a fábrica expandiu-se para a produção de munições, ocupando cerca de 45.000 m2 e empregando quase 800 homens e mulheres. Destes, 370 eram judeus do gueto de Cracóvia, estabelecido pelos alemães depois de terem entrado na cidade. Desde cedo que Schindler adoptou um estilo de vida extravagante, divertindo-se à noite na companhia de altos oficiais das SS, assim como na companhia de uma mulher polaca bastante bonita. Até certa altura, o que o colocou longe dos benefícios da guerra foi o tratamento humano para com os seus trabalhadores, nomeadamente para com os judeus.

Schindler nunca desenvolveu qualquer resistência ideológica contra o regime nazi. No entanto, a sua crescente repulsa e horror relativamente à insensível brutalidade da perseguição nazi da população judaica provocou uma curiosa transformação no oportunismo imoral. Gradualmente, o seu objectivo egoísta de ganhar dinheiro passou para segundo plano, dando mais importância ao facto de pretender salvar o máximo de judeus das execuções nazis. Uma das principais ferramentas de Schindler para a tarefa de salvar vidas prendia-se com o facto da sua fábrica ser considerada como essencial para o esforço de guerra na Polónia ocupada. Tal não servia apenas para obter contratos lucrativos com os militares mas também para retirar alguns judeus da jurisdição das SS. Quando os seus empregados eram ameaçadas com a deportação para Auschwitz por parte das SS, Schindler podia pedir para que fossem dispensados, argumentando que a sua deportação iria dificultar seriamente os esforços para manter a produção essencial para o esforço de guerra. Schindler não hesitou em falsificar os documentos, empregar crianças, domésticas e advogados como sendo experientes mecânicos. Para além disso, também foram protegidos trabalhadores sem qualificação ou temporariamente incapacitados.

A Gestapo prendeu Schindler algumas vezes, tendo chegado a interrogá-lo sobre possíveis irregularidades e favorecimento de judeus.

Em Março de 1943, o gueto de Cracóvia foi liquidado, sendo os judeus que ainda restavam transportados para o campo de trabalhos forçados de Plaszow, nos arredores de Cracóvia. Schindler pediu ao SS-Haupsturmführer Amon Goeth, o brutal comandante do referido campo, que o deixasse estabelecer um campo secundário especial para os trabalhadores judeus da sua fábrica de Zablocie. Nesse local, era mais fácil de manter os judeus em condições relativamente toleráveis, fornecendo-lhes alimentos comprados com o próprio dinheiro no mercado negro.


No fim de 1944, Plaszow e todos os campos secundários tiveram de ser evacuados devido ao avanço dos russos. A maioria dos prisioneiros (mais de 20.000 homens, mulheres e crianças) foram enviados para os campos de extermínio. Ao receber ordem de evacuação, Schindler, que tinha conseguido aproximar-se do supremo comando do exército (OKW), tratou de obter autorização oficial para continuar a produção numa fábrica que ele e a sua mulher tinham estabelecido em Brünnlitz, nos Sudetas. Sendo assim, era suposto que todos os trabalhadores de Zablocie, aos quais já se tinham juntado grande parte dos trabalhadores do campo de Plaszow, fossem transferidos para a referida fábrica. No entanto, em vez de serem transferidos para Brünnlitz, 800 homens (entre os quais 700 judeus) e 300 mulheres da lista de Schindler foram desviados para Gross-Rosen e para Auschwitz, respectivamente.

Quando soube do sucedido, Schindler tratou de assegurar a libertação dos homens do campo de Gross-Rosen. Depois, enviou o seu secretário pessoal alemão a Auschwitz por forma a negociar a libertação das mulheres. Foi necessário pagar à Gestapo 7 marcos alemães por cabeça diariamente. Este foi o único caso na história do campo de extermínio da libertação de um grande número de prisioneiros na altura em que as câmaras de gás ainda se encontravam em funcionamento.

Uma das acções humanitárias mais notáveis levadas a cabo pelos dois Schindler envolveu 120 prisioneiros judeus de Goleszow, um dos campos secundários de Auschwitz. Os homens trabalhavam na fábrica de uma pedreira que pertencia à companhia sob a tutela das SS. Com a aproximação dos russos em Janeiro de 1945, foram evacuados para Goleszow e transportados em vagões para gado sem comida nem água. Após sete dias de caminho em pleno Inverno, os guardas das SS estacionaram os vagões às portas de Brünnlitz. Emilie Schindler foi a tempo de impedir que o comandante das SS do campo ordenasse que o comboio voltasse para trás. Schindler, que tinha regressado ao campo depois da procura de comida no exterior do campo, teve alguma dificuldades em convencer o comandante de que precisava urgentemente das pessoas que se encontravam encerradas no comboio para a fábrica.

Quando os vagões foram finalmente abertos, foram descobertos quase trinta corpos congelados. Schindler percebeu que o comandante planeava, à melhor tradição nazi, incinerar os desafortunados num dos fornos da fábrica. Schindler conseguiu que fossem cremados de acordo com o rituais religiosos judaicos numa parcela de terreno perto de um cemitério católico, que tinha sido comprado especialmente para esse fim. Os restantes 107 sobreviventes, terrivelmente enregelados e assustados, tiveram tratamento médico.

Nos últimos dias de guerra, mesmo antes da entrada do exército russo na Morávia, Schindler conseguiu ir para a Alemanha, em território controlado pelos Aliados. O magnata industrial do tempo de guerra encontrava-se então sem um único centavo. No entanto, organizações de judeus e grupos de sobreviventes apoiaram-no nos anos seguintes, ajudando a financiar (a longo prazo, mal sucedido) a sua emigração para a América do Sul. Quando Schindler visitou Israel em 1961, a primeira das suas setenta visitas, foi recebido e extremamente bem tratado por 220 sobreviventes. Ele continuou a viver parcialmente em Israel e na Alemanha. Depois da sua morte em Hildesheim, Alemanha, em Outubro de 1974, os sobreviventes desolados apoiaram a transferência dos restos mortais de Schindler para o Cemitério Protestante de Jerusalém, Israel. Emilie Schindler morreu a 5 de Outubro de 2001 e encontra-se enterrada na Alemanha.

A 18 de Julho de 1967, Yad Vashem decidiu reconhecer Oskar Schindler como um Honorável entre as Nações. No dia 24 de Junho de 1993, Yad Vashem decidiu reconfirmar a sua decisão original estendendo o reconhecimento também para a mulher de Schindler, Emilie Schindler.

A Lista de Schindler, o filme:


É um filme de 1993 baseado no livro Schindler's Ark, de Thomas Keneally (o livro foi mais tarde renomeado para Schindler's List). O filme, dirigido por Steven Spielberg. Relata a história de Oskar Schindler, um checo que salvou a vida de mais de mil judeus polacos/poloneses durante o holocausto. O título refere a lista de 1.200 judeus que Schindler contratou para trabalhar na sua fábrica, tirando-os dos campos de concentração.

Steven Spielberg, mais tarde, disse que fazer o filme o afetou profundamente. A maior parte dele foi produzido em preto e branco. Apresentou cores apenas no prólogo e no epílogo, e uma cor vermelha em duas cenas especiais para se entender o que levou Schindler a salvar os judeus da morte. Seu subtítulo - Quem salva uma vida salva o mundo inteiro - é uma citação de Steven Spielberg, mais tarde, disse que fazer o filme o afetou profundamente. A maior parte dele foi produzido em preto e branco. Apresentou cores apenas no prólogo e no epílogo, e uma cor vermelha em duas cenas especiais para se entender o que levou Schindler a salvar os judeus da morte. Seu subtítulo - Quem salva uma vida salva o mundo inteiro - é uma citação de Talmud. Aclamado pela crítica, o filme ganhou fama por seu detalhamento gráfico da horrível brutalidade do holocausto.
Desde que foi lançado, Schindler's List ascendeu em status e foi considerado um dos melhores filmes da década de 1990. É também considerado por ser uma das melhores realizações de Steven Spielberg por muitos críticos; é muito bem votado na lista dos 250 melhores filmes da Internet Movie Database, mantendo-se sempre entre os dez primeiros.
Talmud. Aclamado pela crítica, o filme ganhou fama por seu detalhamento gráfico da horrível brutalidade do holocausto.
Desde que foi lançado, Schindler's List ascendeu em status e foi considerado um dos melhores filmes da década de 1990. É também considerado por ser uma das melhores realizações de Steven Spielberg por muitos críticos; é muito bem votado na lista dos 250 melhores filmes da Internet Movie Database, mantendo-se sempre entre os dez primeiros.

Contradições... A Lista de Schindler nunca existiu?!



Após sete anos de pesquisa, biógrafo (David M. Crowe) esboça contradições de Schindler.

A Lista de Schindler nunca existiu. Pelo menos não a lista com L maiúsculo ficcionalizada pelo romance de Thomas Keneally, fonte do filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Esta é apenas uma das novidades levantadas pela biografia escrita por David M. Crowe e recém-lançada nos Estados Unidos sob o título Oskar Schindler – The Untold Account of His Life, Wartime Activities, and the True Story Behind the List (Oskar Schindler – O relato não narrado de sua vida, atividades durante a guerra, e a verdadeira história por trás da lista).
Listas feitas por terceiros
Na verdade, existiram nove listas, das quais quatro foram feitas por Marcel Goldberg, um membro corrupto do chamado Serviço Judaico de Ordem (Jüdisches Ordnungsdienst), a tropa policial do gueto de Cracóvia. Schindler só pôde ter sugerido alguns poucos nomes de judeus a serem salvos, pois na época estava preso, acusado de tentar subornar o comandante da SS, Amon Göth. Crowe não tem informação sobre a autoria das demais listas, ainda desaparecidas. Ele confirma que a versão de uma lista única de autoria própria foi propagada pelo próprio Schindler depois da guerra.
Crowe não questiona a coragem civil de Schindler, disposto a empenhar sua fortuna e arriscar a própria vida para salvar mais de 1100 judeus da deportação para campos de extermínio nazistas. No entanto, aponta que esta atitude foi resultado de um processo de transformação pessoal. Antes de se tornar benfeitor, provavelmente motivado pela dimensão bárbara do crescente terror contra os judeus, Schindler fora um "perigoso espião de calibre", comandante da unidade do serviço secreto que planejou a invasão da Polônia. Crowe destaca que Schindler teria se oposto inicialmente à deportação de judeus também para evitar desfalque no quadro de funcionários de suas fábricas.
Mérito de Schindler intocado
Algo que a biografia de 766 páginas também destaca é o proveito que Schindler tirou de sua amizade com judeus depois da guerra. O autor não hesita em sentenciar o biografado: "Devo admitir que fico consternado com o oportunismo de Schindler, sobretudo quando se tratava de usar seus contatos de amizade com judeus para conseguir vantagens econômicas após a guerra".
O biógrafo – historiador da Universidade de Elon, na Carolina do Norte, uma instituição ligada à United Church of Christ, e membro da comissão de formação do Museu Memorial do Holocausto, em Washington – destaca que os judeus salvos por Schindler resistem à relativização de sua imagem como herói. Crowe entrevistou dezenas dos chamados "judeus de Schindler" e pôde constatar gratidão irrestrita para com seu benfeitor. O autor considera esta visão "pragmaticamente romântica", mas a respeita em seu julgamento de Schindler.
Recepção na Alemanha
A imprensa alemã noticiou com atenção o lançamento da biografia de Schindler por Crowe nos Estados Unidos. O que mais satisfez a crítica foi o fato de haver uma fonte biográfica confiável que permita avaliar a trajetória do Schindler histórico ficcionalizado por Keneally e Spielberg. O fato de a biografia apresentar um Schindler mais controverso e mais mundano – mulherengo, beberrão e oportunista – o torna mais humano, e por isso mesmo mais extraordinário, opina a imprensa alemã.




Fonte:
http://pt.worldwar-two.net/biografias/76/

http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Lista_de_Schindler

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1415300,00.html

Aleister Crowley - Ocultismo AO X-TREMO...

Inaugurando o AO X-TREMO, nada melhor do que uma boa dose de ocultismo... Aos leitores, um pouco da história do ocultismo através da biografia de, nada menos que, "Aleister Crowley - O Mago de Mil Faces", Conhecido também como "O homem mais perverso do mundo."




“ O ano de 1875 da era comum foi de grande importância para o mundo dito Oculto e para o estudo do assim chamado simbolismo esotérico. Entre tantos e vários acontecimentos, nesta época ocorridos, podemos destacar: a morte de Eliphas Levi, a fundação da Sociedade Teosófica e a primeira publicação de Ísis Revelada por Helena P. Blavatsky. Em 1875 também nasceram Carl G. Jung e Albert Schweitzer. Além disto, este mesmo ano testemunhou todo o movimento de grandes Ordens Ocultas que nos legaram boa parte, senão tudo, daquilo que hoje é conhecido como Tradição da Magia Ocidental. Um outro fato porém, viria, depois, consolidar-se como um dos mais importantes relacionados à história do ocultismo mundial: o nascimento, na Inglaterra, de Edward Alexander Crowley (1875-1947), mais conhecido como Aleister Crowley.


As 23h16min , do dia 12 de outubro de 1875, em Leamington Spa, Warwickshire, Inglaterra, nascia Edward Alexander Crowley.

Sua infância esteve marcada por rígidos padrões de comportamento impostos por seus pais, Edward Crowley e Emily Bishop, ativos membros de uma extremada seita Cristã chamada Irmandade de Plymonth (fundada por John N. Darby). Seu pai, um rico cervejeiro aposentado, e fanático Irmão de Plymonth, fez com que Crowley, ainda criança, freqüentasse a sua seita, forçando-o a diversas leituras da Bíblia Cristã e acostumando-o à vida religiosa da Irmandade. Este fato, muito embora viesse ser de grande valia bem mais tarde, quando da compreensão dos Mistérios com os quais esteve em contato, naquele momento apenas fez nascer na criança que se formava, uma intensa repulsa quanto a dogmas, em espécie aqueles de natureza "cristã". 

Em 1886, com o falecimento de seu pai, Crowley fica sob os cuidados de seu tio e tutor Tom Bishop. Tamanha era a crueldade de seu tio, que Crowley se refere a este período de sua vida como "A Infância no Inferno".

Por volta de 1896, Crowley havia iniciado a leitura de alguns livros sobre magia e misticismo (Principalmente The Book of Black Magic and of Pacts de Arthur Edward Waite (1867-1940), norte-americano, maçom, erudito e autor de diversas obras sobre Cabala, Maçonaria, Rosacrucianismo, etc.). Algo começava a tomar forma dentro de seu inquieto ser; porém a leitura de Nuvem sobre o Santuário ( Der Wolke vor dem Heiligthume “1802”, de autoria de Karl von Eckhartshausen “1752-1803”, bibliotecário, místico e autor alemão “Baviera”), obra lhe recomendada por A. E. Waite (1867-1940), é que faz com que Crowley decida dedicar sua vida ao estudo do Ocultismo e da Magia, empenhando-se com afinco no sentido de encontrar a Grande Fraternidade Branca (Devemos lembrar que isto ocorreu ao final do século passado, quando o termo "Grande Fraternidade Branca" de fato significava algo mais interessante do que se vê hoje.mencionada no inspirador livro de Eckhartshausen. E aqui começa a carreira mágica de Aleister Crowley ( Aleister é apenas a forma gaélica de Alexander, e não, como muitos pensam, uma oculta referência a algum tipo de terrível demônio.). 

Em 1898, através de dois amigos, Julian Baker e George Cecil Jones (respectivamente Frati D.A. e Volo Noscere, ambos membros da G.'.D.'.), Crowley é apresentado a Samuel Liddell "MacGregor" Mathers (1854-1918), Frater D.D.C.F. (Deo Duce Comite Ferro), um dos líderes da Ordem Hermética da Aurora Dourada (The Hermetic Order of the Golden Dawn, mais conhecida pela sigla G.'.D.'.), uma das mais influentes Ordens do século XIX, que proporcionou a Crowley sua primeva Iniciação e o contato com os primeiros mistérios mágicos que tanto procurava.

A G.'.D.'. fora fundada pelo próprio Mathers, junto com William Winn Westcott (1848-1925), conhecido pelo mote Frater N.O.M. (Non Omnis Moriar) e William Robert Woodman (1828-1891), cujo mote era Frater V.O.V. (Vincit Omnia Veritas), em 1887. Segundo seus fundadores, a existência da G.'.D.'. era devida à orientação e à ordem de uma alta iniciada alemã chamada Anna Sprengel, Soror S.D.A. (Sapiens Donabitur Astris), que autorizara a abertura de uma Loja na Inglaterra que representasse a suposta Ordem ancestral a qual pertencia (Para maiores informações sobre a trama e a história da G.'.D.'., ver The Magicians of the Golden Dawn de Ellic Howe.). Diga-se de passagem que, a G.'.D.'., mesmo levando em conta o possível conciliábulo de sua criação, constitui uma das mais importantes Ordens jamais inventadas pelo espírito humano, conseguindo reunir em seu corpo de iniciados a nata da intelectualidade inglesa e européia da época. A informação que circula nos meios ocultistas atuais diz que nomes como o prêmio Nobel de Literatura em 1923, Willian Butler Yeats, além de Gustav Meyrink, Florence Farr, A. E. Waite, Sax Homer, Bram Stocker ( Sax Homer, autor de Dr. Fumanchu, e Bram Stocker, autor de Drácula, segundo consta no best-seller de Louis Pauwels e Jacques Bergier, Le Matin des Magiciens, pertenceram a G.'.D.'. (essa informação, entretanto, é refutada por Howe). Em relação a Gustav Meyrink, sua participação na G.'.D.'. também é negada por alguns pesquisadores.), F. L. Gardner, Arthur Machen, o próprio Crowley e tantos outros, pertenceram a esta notável organização. 

Crowley, iniciado por Mathers em 18 de novembro de 1898, ao Grau de Neophytus (0=0), tomava, como Mote Mágico, o significativo nome de Perdurabo (eu perdurarei até o fim), iniciando, assim, seus estudos na G.'.D.'., tendo como primeiro Instrutor Frater Volo Noscere (G. Cecil Jones). Em dezembro do mesmo ano, Crowley atinge o Grau de Zelator (1=10).



Sua capacidade de assimilação de conhecimentos e sua dedicação ao estudo e a prática do Ocultismo o conduziram, também sob a instrução de Frater Iehi Aour (Allan Bennett), a ascender rapidamente aos Graus subsequentes da G.'.D.'.; assim, respectivamente em janeiro, fevereiro e maio do ano seguinte, em 1899, Crowley conquistou os Graus de Theoricus (2=9), Practicus (3=8) e Philosophus (4=7). Bennett, considerado por Crowley um autêntico Guru, o ensinou várias técnicas mágicas oferecidas pela G.'.D.'., técnicas como Cabala e Magia Cerimonial, consagração de Talismãs, evocação de Espíritos, etc.

Este período de sua vida foi fortemente marcado por duas atividades principais. Quando Frater Perdurabo não estava estudando ou praticando, Crowley, sob o pseudônimo de Conde Vladmir Svareff ou Aleister MacGregor, custeava as edições de seus escritos (normalmente algum tipo de pornografia ou poesia), além de cultivar uma intensa vida sexual, a qual escandalizou alguns membros da G.'.D.'.. Sua grande atividade e principal preocupação, no entanto, continuava a ser a o estudo e prática da Magia.
Entretanto, e isto deveu-se menos aos escândalos promovidos por Frater Perdurabo do que ao ciúme e inveja de certos Adeptos londrinos, e mesmo Crowley tendo demonstrado capacidade e talento em magia, sua iniciação à Segunda Ordem fora negada ( A G.'.D.'. era dividida em três sub-ordens: a primeira consistia dos cinco primeiros Graus (de Neophytus a Philosophus), a segunda de Adpetus Minor à Exemptus, a terceira e última comportava os Graus de Magister Templi e Magus. Uma excelente explanação sobre a G.'.D.'.( é dada por Israel Regardie, em seu memorável The Complete Golden Dawn System of Magic.), em fins de 1899, pelos chefes da seção inglesa da G.'.D.'.. Nesta época, Mathers, agora único líder da Ordem, residia em Paris.

Mesmo contrariando a opinião dos líderes londrinos, em 16 janeiro de 1900, em Paris, Mathers, fazendo valer sua autoridade dentro da Ordem, inicia Crowley ao Grau de Adeptus Minor (5o=6), sob o Mote Parzival. Alguns estudantes identificam aqui o fato que marca o inicio da ruína da G.'.D.'..

Pouco antes de sua iniciação, seu grande amigo e Instrutor, Allan Bennett, decide partir para Ceilão, e tornar-se monge Budista.

A insatisfação dos membros da G.'.D.'. com Mathers já era mais que um fato nessa época. Provavelmente o caso Crowley tenha servido como impulso e álibi necessários para o grupo londrino, liderado por Yeats, entre outros menos conhecidos, declarar-se independente de seu mentor e líder, MacGregor Mathers.

O que se seguiu após a rebeldia londrina resultou em histórias fantásticas de ataques mágicos envolvendo Crowley e uns demônios versus Yeats e, é claro, mais uma horda de demônios. Depois o próprio Mathers teria entrado na briga, junto, evidentemente, com uma outra legião de encapetados amiguinhos. Mas essa estória não escapa nem a mais tola crítica. O fato é que Crowley e Mathers ficaram praticamente sozinhos e a outrora grande G.'.D.'., agora conduzida pelos auto-proclamados novos chefes, ia progressivamente implodindo, ou se esfacelando, resultando num sem número de Ordens Cristianizadas, sem o élan da G.'.D.'. original. ( Exemplos: Stella Matutina de Waite, Inner Light de Dion Fortune, Servants Of Light de W. E. Butler e Gareth Knight, além das diversas "Golden Dawns" espalhadas pelo mundo afora.

Crowley, que abandonara um importante trabalho mágico para ajudar Mathers, vê-se só (A Operação de Abramelin.). Parte para Nova York e depois vai para o México.

A estadia no México constituiu um período bem produtivo a Crowley. Além de Tannhauser, escrito em ininterruptas 67 horas, conseqüência de uma bem sucedida Opera Sexualis, esse período na América Central representou uma decisiva conquista no magista que se formava.

Foi apresentado a Don Jesus Medina, um dos altos chefes da Maçonaria local, Rito Escocês. Crowley afirma que Medina, o convidou para iniciar-se em sua Loja. Ainda segundo Crowley, ele rapidamente galgaria os graus Maçônicos, alcançando, por graça, o mais alto Grau do Rito. Crowley, no entanto, jamais foi considerado um Maçom regular.

Mas a chegada de seu amigo e mentor, Oscar Eckenstein, é que daria novos rumos a seu aprendizado. Eckenstein, revelando-se, para a surpresa de seu pupilo, um grande instrutor, demonstrou que Crowley não tinha controle sobre seus próprios pensamentos, qualificando sua atitude para com a magia como apenas mera fascinação romântica. A partir daí, Crowley decide dar um tom científico a seus experimentos, estudando com Eckenstein, uma série de métodos de controle mental.

No outono de 1902, Crowley retorna a Paris. Seu novo encontro com Mathers o decepciona a tal ponto que só lhe restou a boêmia vida parisiense. Retorna a sua recém adquirida mansão em Boleskine, nas proximidades do Lago Ness, na Escócia, em 1903 e então, procurando algo suficientemente prosaico para si, intitula-se Lorde Boleskine. Em agosto deste mesmo ano, casa-se com Rose Kelly.

Mas o ano seguinte revelaria a Crowley o mistério que o acompanharia até seu último momento: A Lei de Thelema.

Casado com Rose Kelly, de acordo com Crowley, "uma da mais brilhantes e inteligentes mulheres do mundo", viaja pela Europa e Egito. De acordo com os relatos de Crowley, enquanto estavam no Cairo, após uma série de Rituais e Invocações, um ser, identificando-se como Aiwass, transmite a Crowley, nos dias 8, 9 e 10 de abril, o Liber Al vel Legis ou, como passaria a ser conhecido, O Livro da Lei. Àqueles que conhecem todo esse processo, é significativo saber que esse Livro foi o primeiro escrito de Crowley, de cunho místico & mágico. (ara uma descrição detalhada do ocorrido com Crowley e Rose, bem como a respeito de Aiwass, ver The Equinox of the Gods, do próprio Crowley.)

Entre tantos significados atribuídos pelos seguidores da doutrina de Crowley, Liber Al vel Legis proclamaria o fim de uma Era (ou Eon) marcada pelo sofrimento, pela intermediação entre Deus e o homem, pelo deus sacrificado, etc. Em seu lugar, nasceria a época do deus de alegria, onde o homem teria a liberdade de realização de sua própria vontade. A epígrafe "Faze o que queres há de ser o todo da Lei", contida em Liber Al e maciçamente utilizada nos escritos de natureza thelêmica, sintetiza a própria regra de conduta a ser tomada como tônica do Eon nascido.



Essa experiência, levou Crowley a assumir o Grau de Adeptus Major, 6o=5 da G.'.D.'., sob o novo Mote de O.S.V. (O.S.V. são as iniciais de "Ol Sonuf Vaoresagi", parte da Primeira Invocação Enoquiana, e que significa "Eu Reino sobre Ti".)


De volta a Boleskine, Crowley imediatamente trata de expor sua consecução mágica a Mathers, revelando ter, finalmente, feito contato com os Mui Misteriosos Mestres Secretos que tanto havia procurado. Como costume, Mathers não aceita a revelação. Consequentemente, o mundo do esoterismo novamente, é palco para ataques mágicos de Mathers a Crowley e vice-versa (Crowley, segundo se afirma, enviou o Sr. Beelzebub e seus 49 "comparsas" para rechaçar um ataque mágico desferido por Mathers). Mas o incontestável fato é que isso representaria o fim da convivência entre os dois magos.

Cansado de suas birras com a G.'.D.'., em 1907, Crowley funda a A.'.A.'.; a Argenteum Astrum, Ordem da Estrela de Prata, que - segundo Frater O.S.V. - substituiria a G.'.D.'., herdando sua estrutura de graduação. Entre tantos significados possíveis, particularmente um inspirou Crowley na escolha desse nome para a Ordem. Segundo ele, o dourado amanhecer (Golden Dawn) é o que precede a Estrela Dalva (Vênus, ou Lúcifer), a prateada estrela da manhã que "anuncia" o Sol (Isto é apenas um sentido poético. Existindo outros, inclusive de natureza tântrica, associado com o trabalho interno da Ordem.). Crowley, em 1909, dá início ao primeiro período aberto a Probacionistas a sua A.'.A.'. e, com a publicação da série The Equinox, "destrói" magicamente a G.'.D.'. (Isso apenas se constituiu em mais um glamour. A G.'.D.'., nessa época, já se encontrava em processo de fragmentação e em nada poderia ser mais prejudicada com a publicação de suas Instrução na série The Equinox. Diga-se ainda que, o fato de uma Organização qualquer, ver publicado seus próprios Rituais não significa, em hipótese alguma, que seus trabalhos tenham deixados de ser válidos. Pensar assim seria o mesmo que supor estarem há muito inválidadas as várias posições sexuais contidas no Kama-Sutra, visto ter ele sido publicado. Resumindo, a experiência, prática e pessoal, sempre valerá.). 


No período de 1907-1911, Crowley, consagrando seu tempo ao estudo, a prática e a escrita, publicaria cerca de uma dúzia de livros de cunho poético-mágico (excluindo a série The Equinox). Neste período também, após a morte de sua filha em 1906, Crowley separa-se de sua esposa, Rose Kelly, em 1909. Nesse mesmo ano, Crowley assume o Grau Adeptus Exemptus 7=4, agora na sua A.'.A.'., com o Mote OU MH. Em 03 de dezembro de 1909, durante uma a Visão do 14o Aethyr, toma o Grau de Magister Templi, sob o Mote V.V.V.V.V., 8=3 da Ordem da Estrela de Prata (Como resultado da operação temos o Liber CDXVIII, The Vision and The Voice). Em 1911 Crowley escreve Liber CCCXXXIII, O Falsamente chamado Livro das Mentiras, que publicaria mais tarde, em 1913.



Em 1912 porém, outro acontecimento daria novo rumo a sua vida.


Crowley, com o seu Livro das Mentiras, curiosamente, mesmo antes de sua publicação em 1913, chamaria a atenção de, nada mais nada menos, Theodor Reuss, membro do serviço secreto germânico, ocultista, cantor e falso maçom, Frater Merlin Peregrinus X, então O.H.O. de uma Ordem chamada Ordo Templi Orientis, a O.T.O. (O.H.O, do inglês Outer Head of Order, ou Chefe Externo da Ordem. Reuss, assim como Crowley, fez bastante esforço para ser aceito como um maçom regular. No entanto, apesar de ambos terem adquirido fama da maçons, não são reconhecidos como tal por nenhuma Loja Regular da maçonaria mundial). 


Reuss, tendo lido Liber CCCXXXIII, para seu espanto, lá identificara o segredo central da O.T.O. (Não se sabe ao certo como Reuss teria adquirido o Liber CCCXXXIII (O Assim Falsamente Chamado Livro das Mentiras), antes de sua publicação. Supõe-se que isto poderia ter sido um ardil, preparado por Crowley, para impressionar Reuss. Resumidamente, o Segredo Central da O.T.O. está exposto no capítulo XXXVI do Livro das Mentiras, onde Crowley descreve uma opera magica na qual o Mago armado com sua Baqueta Mágica (O Pênis) faz uso de um Cálice (Vagina), consumindo o produto desta operação.).


A O.T.O. era uma organização de cunho maçônico, místico e mágico, fundada por Karl Kellner, em 1902. Kellner, segundo a lenda, teria viajado pelo oriente onde havia sido iniciado por um faquir árabe, chamado Solimam ben Aifha, e pelos yoguis hindus Bhima Shen Pratap e Sri Mahatma Aganya Guru Paramahansa, recebendo os mistérios da Filosofia e do Yoga da Mão Esquerda, a Magia Sexual ( jornada pelo oriente e o contato com os altos iniciados compõe versão oficial da criação da Ordo Templi Orientis. Está versão, contudo, não passa de mera ficção cuja base está na lenda apresentada pela jornada de Cristian Rosenkreutz, lenda está que dá origem a Escola Rosacruz. Não existem registros de que Kellner, aliás, assim como Reuss, agente do serviço secreto germânico, tenha realmente estado engajado numa viagem de tal tipo; sendo possível que estes "segredos" tenham sido meramente obtidos quando de sua passagem, em Paris, através da Brotherhood of Light, a qual pertencera - este sim, notável - Pascal B. Randolph.).


A O.T.O., assim como muitas outras das assim chamadas Ordens Templárias, reivindica exclusivamente para si a detenção do conhecimento outrora pertencido aos legendários Cavaleiros do Templo. A O.T.O., de acordo com a sua muito questionável história oficial, assim como ocorreu com a G.'.D.'., diz ter reunido entre seus Adeptos vários eminentes maçons e ocultistas da época, alguns dos quais, a partir dos fundamentes adquiridos nessa Ordem, ou fundaram ou em muito colaboraram em outros movimentos da época. A título de exemplo temos: Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia; Franz Hartmann, um dos mais importantes colaboradores do movimento Teosófico; Krumm-Heller, responsável pela expansão da Fraternitas Rosacruciana Antiqua (F.R.A.); Gerald Gardner, considerado como o "pai" da Wicca; Karl Germer, sucessor de Crowley como líder da O.T.O.; Kenneth Grant, que muitos consideram o verdadeiro herdeiro mágico de Crowley, lideraria uma variação da Ordem na Inglaterra; H. Spencer Lewis, fundador de um bem conhecido movimento neo-rosacruciano denominado AMORC (Para melhor explanação sobre H. Spencer Lewis e a criação da AMORC, sugiro a leitura do ótimo Os Mistérios da Rosa Cruz, de Christopher Mcintosh (Edições Ibrasa).); além do próprio Crowley.


Conforme dito por Crowley, seu aparentemete bizarro primeiro encontro com Reuss, definitivamente, marcaria o destino da Ordem alemã. Crowley, após ter sido acusado de divulgar abertamente este segredo, expõe a Reuss que este teria sido aprendido por ele quando de sua viagem ao Oriente e que já o praticava há muito (Que, diferindo da viagem de Kellner, de fato ocorrera); sendo-lhe impossível saber ser este o mesmo Santo Segredo cultivado pela O.T.O.


Nesta época, Reuss, desejoso de ver sua O.T.O. expandida pela Europa, costumava conferir a alguns nomes de expressão no cenário ocultista, patentes de Reis Nacionais de sua Ordem. Assim, o desenvolvimento da conversa entre ambos, levou Reuss a nomear Crowley líder da O.T.O. para os países da língua Inglesa. Essa tarefa foi exercida por Crowley através do Mote Baphomet.


Crowley então, passaria a escrever (e também reescrever) os Rituais da O.T.O. sob a luz de seu Liber Legis.


Um pouco depois, em 1914, acompanhado de Mary d'Esté Sturges (Soror Virakam), escreve seu famoso Magia em Teoria e Prática (conhecido por "Magick"), mais tarde, quando acrescentado de outras três partes, seria publicado como o Book Four, também chamado de Liber ABA.( Mais conhecido pelo título genérico de Magick.)


Em 12 de Outubro de 1915, em seu quadragésimo aniversário, Aleister Crowley toma o Mote de TO MEGA THERION, 666, para o 9=2, o Grau de Magus da A.'.A.'. 


E, como 666, Crowley concebe uma das mais belas páginas da literatura esotérica, Liber Aleph, The Book of Wisdow or Folly, uma Epístola de 666 a seu Filho 777 (Frater Achad, Charles S. Jones). Em 1919, publica o primeiro número do terceiro volume do The Equinox.


Um dos mais curiosos feitos da Besta, teve lugar com a fundação, em 2 de abril de 1920, da Abadia de Thelema, em Cefalu, Sicília, Itália. Depois, Crowley, em secreto juramento, assume, em maio de 1921, o Grau de 10o=1 A.'.A.'., Ipississimus. A Abadia funcionou até 1923, quando Crowley foi expulso da Itália por Mussolini.


Em 1925 Theodor Reuss falece. Crowley é convocado para uma reunião internacional da O.T.O., onde os rumos da Ordem de Reuss seriam traçados. Crowley é "convidado" a ser o Chefe Internacional da Ordo Templi Orientis. Aceita e toma o Santo Mote de Deus est Homo. (Como Líder da O.T.O., Crowley ficou mundialmente conhecido como Frater Baphomet. No entanto, de acordo com o curioso The Magical Revival, de Kenneth Grant, seu Mote Mágico era mesmo Deus est Homo.)


Durante os anos seguintes, Crowley viveu alternadamente na França, Alemanha e Norte da África. Nesta época ele viria a conhecer duas pessoas que, além de serem discípulos e amigos, seriam depois importantes personagens dentro da história de Thelema: Karl Germer e Israel Regardie (O primeiro, como já dito, sucedeu Crowley como O.H.O. da O.T.O., e o segundo tornou-se seu secretário particular.). Expulso da França em 1929 sob acusação de ser agente alemão, Crowley retorna à Inglaterra.


A publicação de suas Confissões, em 1930, proporcionou a Crowley um interessante encontro com um dos maiores gênios da literatura portuguesa. Estamos falando de Fernando Pessoa (1888-1935). Pessoa, que além de célebre poeta era um competente astrólogo, fascinado pelas ciências esotéricas, envia, neste mesmo ano, uma carta a Crowley, indicando erros em seu mapa natal. Crowley, entusiasmado com o conhecimento do poeta lusitano, contesta sua carta, dando-lhe razão, e expressa seu desejo de conhecê-lo.


Pessoa, mesmo incomodado e receando tal encontro, recebe-o no porto de Lisboa. A lenda diz-nos que estranhos acontecimento tiveram vez naquela tarde, como um inexplicado nevoeiro que, descendo na cidade de Lisboa, atrasou o barco que conduzia a Besta ao encontro do criador de Álvaro de Campos. E tanto foi a admiração e fascínio de Pessoa para com o pior homem do mundo, que, no famoso caso da Boca do Inferno, onde Crowley simulou um trágico suicídio, Pessoa testemunhara, confirmando o que supostamente teria ocorrido a seu novo amigo.


Pessoa, que vira naquele estranho inglês um irmão nos Mistérios, a partir do encontro e da amizade com Crowley, em muito mudou o tom de sua poesia. Adentrou-se no estudo do simbolismo, publicando obras de notável valor, até sua prematura morte, em 1935. (Fernando Pessoa, ao contrário do que é afirmado por alguns thelemitas, jamais pertenceu qualquer organização de cunho iniciático.)


Crowley segue e, entre casos amorosos e escândalos sexuais, drogas, e causas judiciais, publica nos anos 30 uma série de ensaios e instruções que comporiam os números subseqüentes de The Equinox Vol. III, o qual fora iniciado em 1919. O já citado The Equinox of the Gods, relatando suas experiência no Cairo e a escritura de Liber Legis, é publicado privadamente em 1936.


Trabalhando com Lady Frieda Harris, Crowley, ao longo de cerca de cinco anos, concebe um Tarot de modo que a imagem do Eon fique registrada. O resultado final é o maravilhoso The Book of Thoth, onde a principal mensagem de sua obra está apresentada de forma sintética. Durante esse trabalho com Lady Harris, em 1942, na forma de um manifesto da O.T.O., Crowley publica Liber OZ, a Carta dos Deveres e Direitos dos homens e das mulheres. Alguns seguidores de Crowley são enfáticos quando afirmam que algo muito parecido seria elaborado alguns anos depois pela ONU.


Seus últimos anos, a partir de 1945, são vividos em Hastings, onde uma série de novos discípulos continuam recebendo instruções. E assim Kenneth Grant, John Symonds, Grady McMurty, conhecem a Besta. Desta época, vem sua última obra, consistindo numa coletânea de cartas dirigidas a uma jovem discípula, que foram publicadas bem mais tarde, após a sua morte, como Magick Without Tears.


No primeiro dia de dezembro de 1947, aos 72 anos, Aleister Crowley, serenamente segundo alguns, exultante segundo outros, e ainda perplexo, segundo terceiros, falece, vítima de bronquite crônica e complicações cardíacas.


Quatro dias depois, no crematório de Brighton, assistido por um reduzido número de admiradores e discípulos, é realizada a cerimônia que ficou conhecida como "O Último Ritual", com a leitura de trechos da Missa Gnóstica, e de seu maravilhoso Hino a Pã. 


Realizara-se, assim, a última vontade da Besta.


“Certamente o legado da Besta (como passou a ser conhecida a influência de Aleister Crowley) surpreendeu aqueles que esperavam, e até mesmo ansiavam, seu esquecimento. Esses nunca poderiam imaginar que a quantidade de estudantes, admiradores - e até mesmo discípulos - da Tradição revivida por Crowley, o Culto da Besta, ou o Culto das Sombras, aumentasse de forma "assustadora, chegando mesmo a comprometer as bases morais, nas quais nossa sociedade está erigida".”


Fontes: http://www.artemagicka.com/therion/biografia.htm